O QUE APRENDI COM A MINHA JABUTICABEIRA






Tempos atrás ganhei uma mudinha de jabuticabeira de uma pessoa muito querida. Plantei-a no jardim, onde devagarinho começou a crescer. As folhinhas verdes escuras eram viçosas e era uma alegria poder acompanhar o seu crescimento.


No final do ano passado nos mudamos de casa e queria que a minha jabuticabeira nos acompanhasse pois tinha um valor sentimental muito grande. Sabia que daria para cuidá-la mesmo sendo em apartamento, pois conheço muitas pessoas que tem uma arvorezinha de jabuticabeira na varanda. Por isso pedi ajuda ao jardineiro do condomínio onde morava para que a replantasse num vaso. E assim aconteceu a primeira mudança de ambiente da minha pequena plantinha. Adaptou-se bem e eu estava super feliz pela possibilidade de trazê-la para nossa nova casa. Só que no dia da mudança o pessoal esqueceu de pegá-la... Aliás a mudança, seria uma outra coisa que daria uma boa história, que deixarei para uma próxima oportunidade. Bom, tive que ir buscá-la e trazê-la no carro só que, como o vaso era muito pesado, tive que replantá-la num vaso menor.


Aí veio sufoco. Percebi que as folhas começaram a ficar sem viço e o vaso estava longe de ser o adequado. Sem contar que as folhas foram caindo uma a uma... Corri para comprar um vaso maior, terra, adubo e pedir ajuda a um amigo especialista em plantas.

Isso já faz uns 2 meses. Desde então acompanho diariamente o seu estado. Nesse período praticamente todas as folhas caíram. Mas algumas resistiram. O caule por dentro está verde, o que mostra a vida que ainda pulsa nela, apesar de que na parte externa pareça que está se esvaindo. Os ramos onde ainda há folhas estão verdinhos...


Confesso que me apeguei a essa plantinha. Converso com ela todos os dias. Sim, podem achar loucura, mas está sendo uma terapia incrível. De alguma forma ela me faz lembrar de mim mesma. Dos meus processos. Dos meus altos e baixos. Foram e estão sendo tantos aprendizados. Compartilho alguns:

  • As poucas folhas me remetem à esperança que brota nos momentos em que acreditamos que nada vai nos tirar da noite escura da alma. Mas a vida está lá. Se nos aquietarmos podemos nos conectar a ela. Mesmo quando praticamente ficamos desfolhados.

  • Tantas mudanças de ambiente pelas que passou me lembram das situações difíceis às que precisamos nos adaptar, muitas vezes com dor. Da vida que existe mesmo nos momentos em que chegamos ao fundo do poço; os momentos onde percebemos situações às que resistíamos, por serem difíceis demais, onde tivemos que sair da zona de segurança para poder ir além. Mas a vida está lá. Essa certeza eu tenho.

  • O fato de tê-la tirado do jardim e trazido para o apartamento me possibilitou conectar-me com a autocompaixão perante minhas falhas. Senti culpa por tê-la tirado do seu bem estar. Senti que errei. Sim, quantas vezes nos sentimos culpados pela dor que causamos aos outros, pelos erros que cometemos? É aquela culpa carrasca que nos crucifica mil vezes e que serve para nos afundar ainda mais. Pude me conectar com a compaixão por mim mesma, sem me isentar da autoresponsabilidade.

  • Não saber o que vai acontecer com ela me fez exercitar a entrega. Farei a minha parte mas de fato não sei o destino que ela terá. Quantas vezes pelo medo ou pela falta de fé em mim quis controlar o incontrolável e com isso fui para um lugar apertado que me separa de mim e da vida?

De verdade não sei se ela conseguirá reagir. Sinceramente espero que sim porque seria um lindo final feliz. Independentemente do que acontecer sou muito grata a essa planta pela grande Mestra que foi e está sendo na minha vida.



Nestes momentos de quarentena tenho aprendido muito com a natureza. Aconselho você a acompanhar qualquer processo: uma planta, o barulho dos insetos, o revoar de pássaros. Mesmo morando numa cidade grande, veja o que é possível. E me conta o que aprendeu...


#autconhecimento #observação #meditação #natureza

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Isabel Urrutia

Terapeuta de Autodesenvolvimento

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